História Completa do Colégio
Do sonho de uma jovem professora à educação do futuro.

O sonho que deu origem à escola
O Educandário Nossa Senhora do Carmo nasceu do sonho de Arionor de Albuquerque. Desde menina, ela brincava de dar aulas para a irmã e para suas bonecas. Em uma pequena lousa de madeira feita por seu pai, escrevia os primeiros textos com pedaços de tijolo. A simplicidade daqueles recursos já revelava a vocação que marcaria toda a sua vida: ensinar.
Arionor nasceu em 7 de maio de 1942. Cursou o ensino primário — atual Ensino Fundamental — na Escola Estadual Silva Jardim; o ginásio, na Escola Estadual Pedro Alexandrino; e o magistério, na Escola Prudente de Moraes. Mais tarde, graduou-se em Pedagogia e especializou-se em Administração Escolar na Faculdade Geraldo Rezende, no município de Suzano.
1960: o início de uma trajetória
As atividades educacionais começaram em 1960, com a Educação Infantil, em um espaço que possuía apenas uma sala de aula. Devota de Nossa Senhora do Carmo e integrante da Ordem Terceira do Carmo, a professora Arionor deu à escola o nome de Educandário Nossa Senhora do Carmo.
Nos primeiros anos, funcionavam o então chamado curso pré-primário e o curso primário. Entre 1960 e 1974, a primeira identificação visual do Educandário era utilizada nos uniformes escolares.
O ex-aluno Itamir dos Santos recorda sua passagem pela escola entre 1960 e 1966. Seu retrato e o diploma recebido das mãos da diretora Arionor registram a conclusão do pré-primário e a passagem para o primeiro ano, em 15 de dezembro de 1966.




Arionor e Gilberto: uma parceria pela educação
Em 1966, Arionor de Albuquerque casou-se com Gilberto Domingues de Lima, então integrante da extinta Guarda Civil do Estado de São Paulo. A partir desse momento, Gilberto assumiu papel decisivo ao lado da esposa na condução da escola. Participava das reuniões da 4ª Delegacia de Ensino da Capital, vinculada à antiga DRECAP-1, onde eram discutidas as ações do ano letivo.
Gilberto também passou a cuidar dos trabalhos administrativos e burocráticos perante os órgãos públicos sempre que não estava em serviço. Mesmo depois de integrar a Polícia Militar do Estado de São Paulo, continuou colaborando de forma constante com Arionor na administração do Educandário.
Após o falecimento de Pedro de Albuquerque, em 1948, e de América Collalto de Albuquerque, em 1970, o imóvel onde funcionava a escola entrou em inventário e seria vendido em benefício dos seis herdeiros do casal. A continuidade do Educandário tornou-se possível graças a Audinéa de Albuquerque Griese e a seu esposo, Ewaldo Adolpho Griese, que adquiriram as partes dos demais herdeiros e cederam o prédio à sobrinha Arionor.
Sem condições financeiras para alugar outro imóvel naquele momento, Arionor talvez não tivesse conseguido manter as atividades. Por esse gesto essencial, Ewaldo e Audinéa passaram a ser reconhecidos como padrinhos do Educandário Nossa Senhora do Carmo, atual Colégio ALBUQUERQUE.
Formação, responsabilidade e inclusão
No início das atividades, Arionor ainda não possuía formação superior em Pedagogia, o que limitava sua autonomia na administração escolar. Para assumir plenamente a responsabilidade pelos atos pedagógicos do Educandário, concluiu, em 1967, o curso de Pedagogia na Faculdade Geraldo Rezende, em Suzano.
Visionária, Arionor procurava compreender cada pessoa em sua individualidade. Acreditava que a convivência respeitosa entre pessoas diferentes contribuía para o desenvolvimento de todos. Muito antes de a inclusão ocupar espaço central no debate educacional, nas décadas de 1960 e 1970 ela acolhia alunos com diferentes necessidades e dificuldades.
Entre os estudantes recebidos pela escola estavam pessoas com deficiência auditiva, síndrome de Down, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade e autismo — condições que, naquela época, ainda eram pouco conhecidas ou contavam com reduzida compreensão científica. Essa postura humanista tornou-se parte permanente da identidade institucional.

A expansão do Ensino Fundamental
Em 1970, atendendo às solicitações das famílias, o Educandário implantou gradualmente as classes de 1ª a 4ª série do então primeiro grau, hoje Ensino Fundamental. A ampliação exigiu a construção de novas salas de aula.
O funcionamento foi autorizado pela antiga Coordenadoria de Ensino Básico e Normal, por meio do Ato nº 4.289, Registro nº 2.623, com despacho da Seção de Registros do Ensino Particular e Municipal. Posteriormente, o Plano Geral Escolar foi homologado no Processo nº 6.624/73, em 15 de janeiro de 1974.
Durante a década de 1970, além de lecionar nos períodos da manhã e da tarde, Arionor realizava o transporte escolar, buscando os alunos em suas residências e levando-os de volta ao final das aulas. Com o crescimento da escola, motoristas passaram a ser contratados para essa atividade.





Memórias de quem cresceu com a escola
Na década de 1970, Rosana Magalhães foi aluna da professora Arionor. Anos depois, tornou-se professora do próprio Educandário. Em depoimento prestado em 2003, recordou com carinho sua experiência:
“Estudei no Educandário de 1973 a 1977, onde cursei da pré-escola até a 4ª série. Minha primeira professora foi a senhora Arionor de Albuquerque Lima, uma pessoa maravilhosa e muito humana, que me deu a oportunidade do primeiro emprego. Em 1983, comecei a trabalhar no Educandário como auxiliar de classe e aqui continuo com muita satisfação e orgulho. Aqui somos uma família.”
Rosana Magalhães Brunetti — depoimento de 2003
Rosana também destacou a educação informatizada oferecida pela instituição como uma forma eficaz de adquirir conhecimentos e aproximar a aprendizagem da realidade dos alunos.
A década de 1980: novos cursos e uma nova identidade
Na década de 1980, foram implantadas gradualmente as séries subsequentes — 5ª, 6ª, 7ª e 8ª séries do primeiro grau. As alterações do Plano Geral Escolar foram homologadas nos termos da legislação educacional vigente, conforme publicação no Diário Oficial de 20 de agosto de 1985. Para atender à nova demanda, foi construído um prédio de dois andares.
Em 1982, a escola adotou um novo símbolo. A cruz representava a fé; o livro, a educação; o ramo de café, uma das riquezas do Brasil; e a tocha, a vitória. A mudança traduzia um período de expansão e progresso, marcado pela confiança de Arionor e Gilberto no país e no poder transformador da educação.
Foi também nessa década que surgiu o jornal da escola, denominado “O Arauto” — palavra que significa pregoeiro ou mensageiro. Diagramado por Gilberto e produzido na própria instituição, o periódico levava à comunidade escolar notícias e assuntos de interesse coletivo.
Continuidade diante de uma perda irreparável
Em 4 de dezembro de 1993, Arionor de Albuquerque Lima e Gilberto Domingues de Lima faleceram em um acidente automobilístico na Rodovia Fernão Dias. A perda dos fundadores marcou profundamente a família e toda a comunidade escolar.
A partir de então, a direção foi assumida por seu filho, Evaldo de Albuquerque Lima, que deu continuidade aos princípios de responsabilidade, acolhimento, formação humana e compromisso com a educação.
1995: nasce o projeto Educação Informatizada
Em 1995, teve início o projeto “Educação Informatizada”, elaborado pelo diretor e professor Evaldo de Albuquerque Lima. O trabalho foi registrado, em 1997, na Fundação Biblioteca Nacional, sob o nº 127.549, Livro 199, Folha 343. Sua atualização recebeu o registro nº 197.388, Livro 340, Folha 47.
A partir desse projeto, as salas de aula passaram a ser informatizadas e a escola estruturou um amplo laboratório de informática. Nos primeiros anos, os recursos eram muito diferentes dos atuais: televisores de tubo de 29 polegadas, videocassetes, computadores com monitores de tubo e aparelhos conversores de sinais permitiam transmitir as imagens simultaneamente ao monitor e à televisão. Os conteúdos das aulas eram produzidos e armazenados em disquetes.
Em busca de práticas educacionais avançadas, Evaldo participou, em 1998, do IX Mergulho Tecnológico, encontro com especialistas em educação iniciado na Universidade de São Paulo e continuado na SUNY — Universidade do Estado de Nova York.
Ainda em 1998, reuniu-se com o então ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, para dialogar sobre os rumos da educação brasileira e as mudanças trazidas pela Lei nº 9.394/1996. Em 5 de fevereiro de 2001, participou do Encuentro por la Unidad de los Educadores Latinoamericanos, no Palacio de Convenciones de La Habana, que reuniu mais de cinco mil educadores para debater o desenvolvimento da educação na América Latina.




O pioneirismo na utilização do Linux na educação
Como parte dos estudos desenvolvidos no projeto Educação Informatizada, o Colégio ALBUQUERQUE também se destacou, desde 1995, pelo pioneirismo na pesquisa e na utilização do sistema operacional Linux aplicado ao ambiente educacional.
A instituição compreendeu que a formação tecnológica dos alunos não deveria ficar limitada a uma única plataforma ou a um único sistema operacional. Por essa razão, passou a estudar e implantar diferentes distribuições Linux, proporcionando à comunidade escolar contato com outras formas de organização, funcionamento e utilização dos recursos computacionais.
Os primeiros estudos foram realizados com o Kurumin Linux. Posteriormente, a escola trabalhou com SUSE, Slackware e Red Hat, acompanhando as transformações tecnológicas e avaliando as possibilidades de cada sistema no cotidiano escolar.
A adoção do Linux em todos os computadores representa também uma escolha pedagógica. Ao conhecer diferentes sistemas e plataformas, o aluno amplia sua compreensão sobre a tecnologia, desenvolve capacidade de adaptação e percebe que a informática oferece variadas possibilidades de estudo, criação e resolução de problemas.
Esse trabalho reafirma o compromisso do Colégio ALBUQUERQUE com a pesquisa, a inovação e a democratização do conhecimento tecnológico, evitando que o aluno permaneça limitado ao domínio de apenas uma plataforma e preparando-o para compreender a diversidade existente no mundo da computação.
O sino e a memória de dona Angelina
Desde o início das atividades até 1989, o começo e o término dos períodos de aula eram anunciados por um sino de bronze. Quem o tocava era dona Angelina, presença marcante na história do Educandário e testemunha do crescimento de muitas crianças e jovens.
Sua contribuição permaneceu efetiva até 2001, quando precisou se afastar por motivos de saúde. Dona Angelina faleceu em 9 de agosto de 2003, deixando sua lembrança ligada aos sons, às rotinas e aos afetos de diferentes gerações de alunos.
Manifesto pela Paz
Em outubro de 2001, com o propósito de cultivar nos alunos a paz, o amor ao próximo, a solidariedade e a caridade, o Educandário realizou em sua quadra um encontro ecumênico denominado “Manifesto pela Paz”.
Participaram o padre Júlio Lancellotti, representando a Igreja Católica; o pastor Fernando de Carvalho, da Igreja Evangélica; o xeique Salar Ahmad Sulaiman, representando o Islamismo; e Divaldo Pereira Franco, representando a Doutrina Espírita. Alunos, familiares e convidados vestiram a camiseta do Manifesto, cuja mensagem afirmava que a paz e Deus vivem dentro de cada pessoa. O encontro recebeu cobertura da RedeTV!, TV Cultura, CBN e de jornais do bairro.






Solidariedade como prática educativa
Ao longo de sua história, a escola sempre realizou ações junto às comunidades mais necessitadas, arrecadando alimentos, brinquedos e roupas e doando materiais didáticos destinados à alfabetização de adultos.
Em dezembro de 2005, a instituição promoveu o Natal de crianças carentes, recebendo-as no espaço escolar para uma confraternização e para a entrega de brinquedos pelo Papai Noel. Pelo espírito empreendedor e pelo incentivo à solidariedade entre os alunos, o Educandário recebeu do Governo Federal o selo “Faça Parte 2005”.
2005 e 2006: identidade renovada e homenagem à fundadora
Em 2005, o símbolo do Educandário foi novamente atualizado para acompanhar a evolução da escola e dialogar com seu tempo. Cinco propostas foram apresentadas aos alunos, que escolheram a nova identidade visual. A circunferência simbolizava o mundo globalizado; a figura humana em seu interior representava o indivíduo inserido nesse mundo e, ao mesmo tempo, o respeito à individualidade.
Em 2006, ao completar 46 anos de atividades, a instituição homenageou sua fundadora. Entre 16 e 20 de outubro, o Educandário Nossa Senhora do Carmo passou a chamar-se Colégio ALBUQUERQUE, em reconhecimento à dedicação, ao carinho e ao legado educacional de Arionor de Albuquerque Lima, construído com o apoio permanente de Gilberto Domingues de Lima.



Trecho da placa de homenagem à fundadora
Veja a evolução da nossa marca
1960 - 1974
1974 - 1982
1982 - 2005
2005 - 2006
2006 - 2025
Atual
Festas Juninas: tradição que atravessa gerações
As Festas Juninas fazem parte da história da escola desde seus primeiros anos. Sempre houve o cuidado de transformar a celebração em uma experiência de participação, pertencimento e alegria para os alunos.
A preparação e o dia da festa reúnem alunos, familiares, amigos, professores e moradores do bairro. Ensaios, danças, bandeirinhas e demais enfeites mobilizam a comunidade escolar e fortalecem o espírito de companheirismo e união.
O tradicional teatro caipira sempre ficou sob a responsabilidade da turma formanda. Na década de 1960, era apresentado pelos alunos da Educação Infantil; com a ampliação da escola, passou pelo Ensino Fundamental e, mais tarde, chegou aos estudantes do Ensino Médio.
Teatro, formação humana e resultados acadêmicos
Na década de 1990, foi criado o grupo “Teatro, Arte e Educação”. Mais do que despertar o interesse pelas artes cênicas, a iniciativa buscou tornar a convivência social mais dinâmica e ajudar o aluno a enfrentar a timidez e a apatia, expressando vontades, desejos e ideias com respeito ao outro.
Seu objetivo central é contribuir para que crianças e jovens se tornem adultos capazes de se posicionar diante de outras pessoas, de um grupo ou de uma situação, sem o medo paralisante de errar.
O Colégio ALBUQUERQUE diante da pandemia
A partir do início de 2020, com a chegada da pandemia, a humanidade passou a enfrentar um dos períodos mais difíceis de sua história recente. As escolas precisaram interromper as atividades presenciais e buscar novas formas de garantir a continuidade do processo educacional.
Nesse cenário, o Colégio ALBUQUERQUE atravessou as profundas transformações ocorridas na educação de maneira estruturada e alicerçada nos estudos que já desenvolvia havia décadas. Desde 1995, o projeto Educação Informatizada vinha produzindo conhecimento, experiência e uma sólida base tecnológica aplicada ao ensino e à aprendizagem. Quando as aulas presenciais precisaram ser suspensas, a instituição não partiu do princípio: deu continuidade e ampliou um trabalho construído ao longo de muitos anos.
Também foram implantadas conexões de internet dedicada para as salas de aula e switches em cada andar do prédio, proporcionando maior estabilidade, velocidade e qualidade na transmissão das atividades. Para atender às necessidades específicas da Educação Infantil, foram instalados televisores com sistema Android nas salas e nos demais ambientes de estudos específicos.
A utilização da lousa digital permitiu aos professores apresentar e compartilhar conteúdos em tempo real, simultaneamente com os alunos presentes na sala e com aqueles que acompanhavam as aulas de suas residências. Essa estrutura tornou possíveis as aulas híbridas, garantindo a continuidade do ensino e preservando o vínculo entre alunos e professores durante o distanciamento.
Atualização da identidade visual
Em 2026, a identidade visual do Colégio ALBUQUERQUE foi atualizada com a adoção da tipografia College, de estilo universitário, reconhecida mundialmente e utilizada na comunicação visual de grandes empresas e universidades. A renovação preservou o símbolo tradicional da instituição e fortaleceu a presença da marca, tornando-a mais moderna e alinhada à trajetória de excelência do Colégio.

Uma história de tradição, inovação e compromisso
O Colégio ALBUQUERQUE sempre procurou estar à frente de seu tempo, oferecendo uma educação que une conhecimento, tecnologia, formação humana, respeito às diferenças e responsabilidade social.
A história iniciada em uma pequena sala de aula, em 1960, nasceu do sonho de uma jovem professora e cresceu graças à dedicação de pessoas que acreditaram no poder transformador da educação. Dos textos escritos com pedaços de tijolo em uma pequena lousa de madeira aos modernos recursos digitais utilizados nas salas de aula, muitas transformações aconteceram.
Entretanto, a essência permaneceu a mesma: educar com responsabilidade, acolher com respeito, ensinar com qualidade e preparar cada aluno para participar da sociedade de maneira consciente, ética e solidária.
Ao preservar o legado de Arionor de Albuquerque Lima e Gilberto Domingues de Lima, o Colégio ALBUQUERQUE continua construindo sua história, unindo tradição e inovação e reafirmando, diariamente, seu compromisso com a educação e com o desenvolvimento integral de seus alunos.
